Escândalo noticiado na Grande Seca de 1877: Vigário de Quixadá Lucra com Viveres da Caridade
A freguesia de Pedra Branca vive momentos de desespero diante dos horrores da seca, que já fizeram vítimas e espalharam sofrimento entre a população. Nesse cenário crítico, a população esperava auxílio e solidariedade por parte das autoridades religiosas.
No entanto, o vigário de Quixadá, João Scalígero Augusto Maravalho, acabou de provar de que casta é o LOBO, a quem o nosso esmoler diocesano confiou a distribuição dos alimentos. Aquele que ostentava falsa caridade e pregava a urgência de providências para salvar os paroquianos agora se mostra interessado em lucro próprio.
Armado de um diploma de membro da comissão de socorros que, em muitas partes, se converteu em uma verdadeira CARTA DE CORSO, o sacerdote, segundo relatos, colocou à venda os viveres da caridade. A pressa foi tanta que, em apenas três dias, já havia comercializado sessenta e uma sacas, incluindo vinte e quatro destinadas à freguesia de Pedra Branca.
Essa situação revela não apenas a tragédia causada pela seca, mas também a exploração dos mais necessitados por quem deveria proteger e ajudar. Pedra Branca, diante de tal desrespeito, permanece desamparada e exige atenção imediata das autoridades.
Fonte: Noticiário Retirante (CE), 1877 a 1878, Edição 00008 (1)
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